Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Traduzir:

2 de Abril Dia Mundial do Autismo  

Os Genes do espectro compartilhados em família

Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

A regulamentação e ampliação dos núcleos de atendimento ao Autismo em Camaçari, requeridas através da Câmara Municipal pelo vereador Kaique Ara, são mais que oportunas  em virtude dos serviços precários dos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) não atenderem às necessidades do segmento do TEA (Transtorno do Espectro Autista) e de não abrangerem a assistência aos autistas adultos como devem. Não estão dotados de especialistas conforme determinado em lei e não estão estruturados de forma a avançarem na concessão de diagnósticos precoces ou em qualquer tempo.
O Autismo é um espectro que exige acompanhamento ininterrupto de Psiquiatra, Psicólogo, Psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista, educador físico e a realização de terapias integradas através do SUS para que as pessoas autistas possam superar as barreiras da comunicação, desenvolverem a fala, a psicomotricidade e formas de interação para inclusão, com a assistência em núcleos de atendimento ou nas escolas, hospitais  e ambientes de trabalho dentre outros.
O TEA exige também, além da concessão gratuita das medicações  de última geração sem interrupções pelo SUS, incluindo o cannabidiol, seja disponibilizado um corpo  de auxiliares enfermeiros e de apoio devidamente capacitados para situações de crises de autistas, sobretudo os de grau severo. 
Cada vez mais pessoas em idade adulta são diagnosticadas com Autismo nos seus graus leve, moderado e severo. O acesso ao diagnóstico vem sendo uma conquista ao redor do mundo que busca explicação para comportamentos próprios do Transtorno Espectro do Autismo e os meios para levar políticas públicas aos muitos lugares onde o atendimento à saúde da população é muito precário ou não se organiza.
Boa parte dos adultos que descobre a origem do autismo de seus filhos na genética herdada deles próprios acrescentam cada vez mais números à estatística de 70 milhões de pessoas autistas há alguns anos no mundo, neste patamar de estimativa estagnado por inexistência de controle nas cidades na emissão de diagnósticos e de capacitação de especialistas para tal, ao longo desta década e mesmo antes. No Brasil seriam mais de 2 milhões de pessoas autistas 
Segundo constata o conhecido cientista brasileiro  Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, pesquisador da cura e tratamento do Autismo, baseado na vivência com  um filho seu autista severo, "se o Ivan ficar sem observação ele morre". É o caso do meu filho Ygor Felipe, autista em grau severo, o segundo caso de tutela do Estado no país concedido por decisão judicial, vítima de muitos acidentes por falta de noção de perigo e de preconceito da sua condição diferenciada. Ygor recebe cuidados e tratamento em tempo integral no Centro Terapêutico Rosa dos Ventos. Muotri diz buscar em suas pesquisas uma melhor qualidade de vida para o Ivan.  Aqui no Brasil e em muitos países os pais, parentes e entidades representativas de autistas se organizam para construção e funcionamento de  residências assistidas mantidas pelo Estado e parcerias, com o objetivo de dar proteção futura aos seus entes queridos com menor possibilidade de independência.
Não é nenhum fenômeno raro hoje em dia uma criança ser diagnosticada com Autismo. A proporção média é de um autista em cada grupo de 100 nascimentos. Nos Estados Unidos é de um para cada 38 nascidos. Agora a preocupação é em dar suporte à demanda por políticas de assistência por parte do adulto diagnosticado tardiamente  pais e irmãos de autistas, que apesar até de sintomas imperceptíveis aos leigos, eles estão sujeitos a desencadear em processos depressivos, por falta de entendimento do que lhes ocorre em determinadas situações repetidas principalmente de resistência a aglomerações e contato  social. É alto o número de suicídios de pais, mães, por esta razão e pela sobrecarga da jornada no cuidado aos filhos autistas e em busca da sobrevivência.
A ciência hoje  estima que de 40% a 80% dos casos de Autismo estejam relacionados aos genes. Outras causas seriam ambientais, poluição, dificuldades na hora do parto e algumas mais ainda em  estudo. A sociedade deve se preparar para lidar com esta realidade de forma humanizada organizando uma rede de assistência aos autistas que sejam referência nos nossos municípios.
Angélica Ferraz de Menezes, jornalista, ambientalista, mãe de autista severo, avó de autista Asperger, participou ativamente das elaborações das leis estadual da Bahia e nacional aprovadas para o espectro do autismo.
Para saber sobre os direitos dos autistas constantes em leis,  acesse os links
Lei Estadual 10.553-2007
https://leisestaduais.com.br/ba/lei-ordinaria-n-10553-2007-bahia-determina-a-obrigatoriedade-do-governo-do-estado-da-bahia-proporcionar-tratamento-especializado-educacao-e-assistencia-especificas-a-todos-os-autistas-do-estado-independentemente-de-idade
Legislação Federal
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/legislacao/legislacao-federal#:~:text=Institui%20a%20Pol%C3%ADtica%20Nacional%20de,11%20de%20dezembro%20de%201990
 

Por: Angélica Ferraz de Menezes 

Mais em Angélica de Menezes